O debate para a prefeitura do Rio de Janeiro trouxe à tona a dicotomia de pensamento: Pragmatismo VS Filosofia. Trabalharemos as estas duas vertentes para discutir o projeto “Orla Digital”.
E por que isto deve ser discutido para que a legenda se desenvolva?
1. Para saber em que medida se intervém na realidade;
2. Auxilia na formulação de melhores políticas públicas;
3. Serve de parâmetro para avaliarmos o lançamento de candidaturas e calcularmos o sucesso eleitoral – o PSB teve 36% de taxa de sucesso em candidaturas a Prefeituras em todo o Brasil.
Como não se possui uma ação sem um intento que a fundamente, comecemos pela elaboração de um projeto político.
A “era digital” justifica e sustenta o mundo globalizado. A imensa força do capital especulativo está baseada na abstração dos números e na velocidade das transações (compra/ venda de ações, transferência de capitais, etc) facilitadas pela internet.
A internet mostra-se a cada dia como uma ferramenta fundamental de pesquisa.
Neste contexto, é correto afirmar que: os excluídos digitais também o são dos mais diversos mecanismos de desenvolvimento da sociedade moderna. Fato que contribui para a manutenção de sua condição de subalternidade.
Enxergar a realidade desta maneira justifica gastos voltados para a inclusão digital de populações de baixa renda. Antes de discutir o escopo do projeto, o perfil dos moradores de Copacabana e o resultado das eleições de 2008, vejamos o lado do pragmático.
Imediatismo; Expectativa de ganhos – retorno; ausência de projeto político, tudo isto pode ser ligado a uma idéia objetiva de mundo. Normalmente, o imediatismo aparece mais ligado a questões como alimentação, resumido pela famosa frase: “Quem tem fome tem pressa”. Recolher os frutos do que foi semeado é também algo viável se tratando de administração pública e disputa eleitoral.
Por fim, uma visão completamente técnica pode estar voltada para a resolução imediata de uma demanda sem que isto esteja relacionado a um norte. Todas estas vertentes são criticadas pela falta de perspectiva de longo prazo e pouca alteração no status quo.
Visto isto apresentemos o projeto:
(fonte: http://olhardigital.uol.com.br/central_de_videos/video_wide.php?id_conteudo=5236) 16/03/08
Orla Digital – Praia de Copacabana recebe rede de acesso à internet wi-fi
“Governo investiu R$1 milhão na instalação de antenas Wifi que cobrirão a Av. Atlântica e a Nossa Senhora de Copacabana”
“A intenção do governo é cobrir todo o Rio nos próximo 18 meses. O orçamento estimando é de cerca de R$40 milhões”.
“O projeto é um dos 3 maiores do mundo. Só perde para os que estão sendo implantado na China e no México”.
Proposta muito interessante, visionária até. Seu início, porém, sem resultado eleitoral e real.
Copacabana possui:
Em todos os dados pesquisados houve a relação: Maior renda/ Mais anos de estudos/ Maior acesso a internet
Sendo assim, a ação da Secretaria voltou-se para pessoas:
- Que já possuem amplo acesso a internet
- Mais escolarizadas
- Que não residem no RJ ou no Brasil
Demonstremos isto. A inauguração foi realizada em fevereiro. Em outubro as eleições produziram os seguintes resultados nas urnas de Copacabana:
Candidato do PSB mais votado no Bairro:
Dr. Carlos Eduardo - 1.252 votos (total: 27.297)
Candidata a Prefeita coligada com o PSB: 6.678 votos
Percentual do Prefeito apoiado pelo PSB no 2º turno:
Paes - 28% Gabeira - 71% (1º turno: Paes – 24% Gabeira - 53%)
(Fonte: TSE)
- Embora tenha havido um gasto de mais de R$ 1 milhão, a legenda não se apresenta como alternativa daquela população.
- O Governo estadual recebeu pouquíssimo apoio do Bairro e da Região.
Outros pontos que ajudam a explicitar o problema:
Motivação principal: Negócios 40,57%
Clientes do estado do RJ: 6,49%
Média de permanência: 3 dias_______Diária média: R$ 237,59
Em suma, a intervenção direta do “Orla Digital” na vida da população do Rio demonstrou-se inócua. O que resultou na ausência de resposta eleitoral da legenda e do governo. Além de beneficiar uma pequeníssima parcela de pessoas, esta em boa parte nem residente do Brasil.
O PSB tem que colher os frutos de suas políticas, mas isto baseado no reconhecimento por parte da população da boa administração pública realizada e dos projetos políticos defendidos.
Sendo assim, pensar estrategicamente – sob o puro aspecto eleitoral ou pela evolução do projeto socialista – significa elencar melhor as prioridades.