domingo, 2 de novembro de 2008

PSB : A noiva Rejeitada - Especial Finados

O AvantePSB, trás um especial neste dia de finados, para citar a matéria do jornal OGLOBO do dia o1 de novembro na página 2 - Panorama Político.

"PSB: a noiva rejeitada
Com o fortalecimento do PMDB nas eleições municipais, o PSB perdeu o rumo.Está se sentindo a noiva rejeitada. O PMDB está sendo cortejado tanto pelo PT quanto pelo PSDB como aliado preferencial em 2010.

Os Socialistas avaliam que estão perdendo a batalha para indicar o vice da chapa presidencial do PT."

Concluíram também que a candidatura Ciro Gomes não vai longe apenas com o apoio do PDT e do PCdoB."

Nossos comentários:
Ainda não perdemos o rumo, pois, só perde o rumo quem já tem o rumo definido.

Quem foi que definiu que o PSB, vai ser vice em alguma chapa? Quem deveria - ou deverá - definir é a militância, este é o sentido de partido. Para a tomada de decisões, existem os Congressos. Decisões tomadas em gabinetes, muitas vezes resultam em fracasso.

Análise da conjuntura:

Pode ser melhor para o partido, lançar uma candidatura própria, ter votos de legenda, aumentar as suas bancadas (Senado, Governador, Deputado Estadual e Federal).

Não lançar candidatura significa ficar "implorando" vaga em uma ou outra chapa.
E o que é pior, podendo até ficar de fora!

Vejamos o exemplo da prefeitura do Rio.
A maioria dos partidos do Bloco de Esquerda, lançaram candidatura e se fortaleceram e, no segundo turno apoiaram o Eduardo Paes. Agora, como ficam as distribuição das secretarias ? dos projetos ? chegamos primeiro e vamos ter o mesmo tamanho.

O assunto deve ser discutido no partido ou então, vamos perder de novo.

Que por falta de debate, não tenhamos que lamentar pelo PSB no dia de finados em 2010:

É a hora, Avante PSB!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Orla Digital, influência virtual

Políticas, transformações e sucesso eleitoral

O debate para a prefeitura do Rio de Janeiro trouxe à tona a dicotomia de pensamento: Pragmatismo VS Filosofia. Trabalharemos as estas duas vertentes para discutir o projeto “Orla Digital”.

E por que isto deve ser discutido para que a legenda se desenvolva?

1. Para saber em que medida se intervém na realidade;
2. Auxilia na formulação de melhores políticas públicas;
3. Serve de parâmetro para avaliarmos o lançamento de candidaturas e calcularmos o sucesso eleitoral – o PSB teve 36% de taxa de sucesso em candidaturas a Prefeituras em todo o Brasil.

Como não se possui uma ação sem um intento que a fundamente, comecemos pela elaboração de um projeto político.

Inclusão. Acesso. Palavras que em si carregam conceitos caros ao pensamento progressista. Entretanto, por si só não garantem o sucesso de uma ação, seja nos benefícios à população ou nos dividendos eleitorais.

A “era digital” justifica e sustenta o mundo globalizado. A imensa força do capital especulativo está baseada na abstração dos números e na velocidade das transações (compra/ venda de ações, transferência de capitais, etc) facilitadas pela internet.

A internet mostra-se a cada dia como uma ferramenta fundamental de pesquisa.

Neste contexto, é correto afirmar que: os excluídos digitais também o são dos mais diversos mecanismos de desenvolvimento da sociedade moderna. Fato que contribui para a manutenção de sua condição de subalternidade.

Enxergar a realidade desta maneira justifica gastos voltados para a inclusão digital de populações de baixa renda. Antes de discutir o escopo do projeto, o perfil dos moradores de Copacabana e o resultado das eleições de 2008, vejamos o lado do pragmático.

Imediatismo; Expectativa de ganhos – retorno; ausência de projeto político, tudo isto pode ser ligado a uma idéia objetiva de mundo. Normalmente, o imediatismo aparece mais ligado a questões como alimentação, resumido pela famosa frase: “Quem tem fome tem pressa”. Recolher os frutos do que foi semeado é também algo viável se tratando de administração pública e disputa eleitoral.

Por fim, uma visão completamente técnica pode estar voltada para a resolução imediata de uma demanda sem que isto esteja relacionado a um norte. Todas estas vertentes são criticadas pela falta de perspectiva de longo prazo e pouca alteração no status quo.

Visto isto apresentemos o projeto:
(fonte: http://olhardigital.uol.com.br/central_de_videos/video_wide.php?id_conteudo=5236) 16/03/08

Orla Digital – Praia de Copacabana recebe rede de acesso à internet wi-fi
Um dos principais cartões-postais do país entra definitivamente na era digital a partir de maio A Praia de Copacabana, que hospeda boa parte de turistas e visitantes em viagens de lazer ou a negócios, irá ganhar, a partir do mês de maio, uma rede de acesso à internet wi-fi. Isso permitirá aos usuários de computadores conectarem-se gratuitamente a uma rede de banda larga sem fio, bastando para tanto dispor de equipamento munido de dispositivo adequado para acessar redes wireless (sem fio). Batizado de Orla Digital, o programa foi lançado oficialmente no dia 3 de janeiro.

Governo investiu R$1 milhão na instalação de antenas Wifi que cobrirão a Av. Atlântica e a Nossa Senhora de Copacabana”
“A intenção do governo é cobrir todo o Rio nos próximo 18 meses. O orçamento estimando é de cerca de R$40 milhões”.
“O projeto é um dos 3 maiores do mundo. Só perde para os que estão sendo implantado na China e no México”.

Proposta muito interessante, visionária até. Seu início, porém, sem resultado eleitoral e real.

Copacabana possui:
* A população com mais anos de estudos do RJ
* Alta renda.
* Ampla rede de serviços

Em todos os dados pesquisados houve a relação: Maior renda/ Mais anos de estudos/ Maior acesso a internet

Sendo assim, a ação da Secretaria voltou-se para pessoas:
- Que já possuem amplo acesso a internet
- Mais escolarizadas
- Que não residem no RJ ou no Brasil
Ou seja, exceto aqueles que queiram economizar, aos turistas e aos hotéis os gastos não integrarão o cotidiano do indivíduo, logo, não serão incorporados ao “top of mind” na hora de destinar seu voto a representação partidária.


Demonstremos isto. A inauguração foi realizada em fevereiro. Em outubro as eleições produziram os seguintes resultados nas urnas de Copacabana:

Candidato do PSB mais votado no Bairro:

Dr. Carlos Eduardo - 1.252 votos (total: 27.297)

Candidata a Prefeita coligada com o PSB: 6.678 votos

Percentual do Prefeito apoiado pelo PSB no 2º turno:
Paes - 28% Gabeira - 71% (1º turno: Paes – 24% Gabeira - 53%)
(Fonte: TSE)

Os números mostram que:

- Embora tenha havido um gasto de mais de R$ 1 milhão, a legenda não se apresenta como alternativa daquela população.
- O Governo estadual recebeu pouquíssimo apoio do Bairro e da Região.

Outros pontos que ajudam a explicitar o problema:
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RJ, somente sobre o mês de agosto de 2008 já traçam o panorama:
Turistas recebidos por bairro:
Copacabana: 67,75%_______Ipanema/ Leblon: 55,77%
Em Hotéis 4 estrelas: 70%
Motivação principal: Negócios 40,57%
Clientes do estado do RJ: 6,49%
Média de permanência: 3 dias_______Diária média: R$ 237,59
Pensar a correlação básica - intervenção na realidade/ melhoria das condições de vida/ sucesso eleitoral - ajuda a explicar o insucesso da legenda na região, seja de seus candidatos ou de sua base de apoio.

Em suma, a intervenção direta do “Orla Digital” na vida da população do Rio demonstrou-se inócua. O que resultou na ausência de resposta eleitoral da legenda e do governo. Além de beneficiar uma pequeníssima parcela de pessoas, esta em boa parte nem residente do Brasil.
Embora o projeto como um todo tenha expressão, seu início teve limitada visão.
O PSB tem que colher os frutos de suas políticas, mas isto baseado no reconhecimento por parte da população da boa administração pública realizada e dos projetos políticos defendidos.
O que se choca totalmente com políticas “para inglês ver”.
Uma legenda que se propõe a lançar candidatura à Presidência do Brasil em 2 anos não pode se dar ao luxo, em uma das 3 cidades mais importantes do país, de não construir sua marca de forma sólida e eficaz. Aliando curto e longo prazo dentro de um programa de idéias.

Sendo assim, pensar estrategicamente – sob o puro aspecto eleitoral ou pela evolução do projeto socialista – significa elencar melhor as prioridades.

domingo, 26 de outubro de 2008

Tempo fecha em Petrópolis

Dicionário Michaelis:
Partido - 2. Associação de pessoas que têm as mesmas idéias e seguem o mesmo sistema ou doutrina política.

Fiquemos somente na descrição do dicionário sobre partido e pensemos sobre as notícias do 2º turno em Petrópolis.

“Paulo Mustrangi, que iniciou a campanha com a coligação PT/PPS e o apoio dos deputados federais Jorge Bittar (PT) e Leandro Sampaio (PPS), recebeu no segundo turno o reforço dos adversários Nelson Sabrá, que disputou a prefeitura pelo PRB, e do PHS, que teve como candidato Marcos Novaes. Na primeira fase da campanha, o petista não recebeu verbas das executivas estadual e nacional do partido. Com o resultado das urnas e o crescimento nas pesquisas, na última semana Mustrangi recebeu visita do presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, e do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.
Além deles, estiveram em Petrópolis a secretária estadual de Ação Social, Benedita da Silva, o prefeito reeleito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e os deputados estaduais Alessandro Molon (PT) e Alexandre Correa (PPS). Os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Justiça, Tarso Genro, também participaram da campanha com depoimentos no rádio”.
“Ronaldo Medeiros (PSB) tem a coligação com o maior número de partidos - 12 -, além do apoio do governador Sérgio Cabral, do deputado federal Hugo Leal (PSC) e de quase 90% da atual Câmara Municipal. Na segunda etapa, recebeu apoio do PTB e de pelo menos oito dos 15 vereadores eleitos. No programa eleitoral, Medeiros apresentou declarações do governador enfatizando a importância da parceria entre os governos municipal, estadual e federal, além de contar com o apoio do prefeito Rubens Bomtempo”.
(Fonte: oglobo.com)
O argumento da declaração de apoio de Sergio Cabral, frente ao batalhão de ministros e dirigentes do governo federal, mostra-se fraco frente ao eleitor.
O que vale ressaltar neste ponto é a compreensão das lideranças do PT sobre a importância de eleger o Prefeito de Petrópolis, compensando uma possível falta de apoio no 1º turno.
Frente a tais questões, não escapam as perguntas:
Por que um empenho nacional – quase oficial - do PT em derrotar um aliado histórico como o PSB?
Por que a matéria cita 3 Deputados Federais do PT e nenhum do PSB no apoio de seu candidato?
Por que 3 Ministros do PT são citados em apoio a seu candidato e nenhum do PSB?
Por que a representante no governo estadual do PT é citada em apoio a Mustrangi e o do PSB não?
Não pensemos que a leitura do dicionário seja mais bem feita pelos petistas. Entretanto, ao que parece, a prática do companheirismo por eles vem sendo melhor aplicada.
Bem como a intensa cordialidade da legenda socialista com o PT, e alguns demais partidos, no Estado do Rio de Janeiro.
Em matéria anterior o Avante PSB, já havia destacado a necessidade de apoio a candidatura de Medeiros para que o PSB, não perdesse a prefeitura de Petrópolis, como perdeu a de Friburgo.
Estes pontos devem ser discutidos, por significarem um péssimo retrocesso.
Perdemos uma importante Prefeitura.
Fica a saudação aos companheiros que bons governos fizeram e levantaram a legenda no interior do RJ.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

“Por trás da cortina de fumaça: O que esconde a campanha de Gabeira?”

Adiantemos as conclusões. Eduardo Paes é a melhor opção no 2º turno na cidade do Rio de Janeiro.
Caso concorde, ótimo, lerá ainda mais entusiasmado. Se discordar, leia assim mesmo já que o futuro da sua cidade está em jogo.

Adiantadas as conclusões, os questionamentos surgem ao mesmo passo:

1. Por que um militante de esquerda votaria Paes?
2. Gabeira não seria a esquerda?
3. Por que uma pessoa que muda 6 vezes de partido, tem sua escola política professorada por Cesar Maia, criticou ferozmente Lula em CPI, ainda assim, é a opção mais adequada para as frentes progressistas?

De acordo com a propaganda do TSE: “no 2º turno restam apenas 2 candidatos, então tudo fica mais fácil”.
Dependendo da conjuntura, a afirmação constitui um erro crasso. No caso do Rio de Janeiro, o mais acertado seria dizer que a peneira do 1º turno atribuiu maior complexidade ao processo.
Vejamos o perfil dos candidatos:

Paes: 38 anos. Ampla experiência na máquina pública executiva e notório parlamentar. Mudou 6 vezes de partido, ex-critico de Lula, Ex-etc. Com uma campanha calcada em argumentações demoradas e maciças Procura ressaltar que sua experiência fará a diferença no comando da Prefeitura e que a Saúde será o seu ponto alto de seu governo. Sua biografia política o credenciaria para o cargo = Experiência/ Preparo.

Gabeira: 67 anos, ex-guerrilheiro, Ex-Petista, Ex-etc. Opta por uma estratégia emotiva. Pelo resgate de uma política de idéias, voltada para projetos de longo prazo e poucas definições práticas. Propõe a ocupação técnica dos cargos. Sua comunicação é leve e melodiosa. Sua biografia política o credenciaria para o cargo = Ética e Coragem.

O desmembramento das candidaturas não pode ser iniciado sem que seja traçado um panorama eleitoral com base no 1º Turno:

Do Méier para a Zona Norte: Vitória de Paes em TODAS as urnas.
Do Méier para Zona Sul vitória de Gabeira em TODAS as urnas.

Embora não possua a mais gritante diferença de votos em suas respectivas regiões, tomemos Copacabana e Campo Grande como paradigmas.

Copacabana:
Gabeira 64.958 votos______Paes 27.396 votos
Campo Grande:
Gabeira 14%_______Paes 29%

Perfil do Bairro: Responsáveis por domicílios (anos de estudo): (Fonte GeoRio)

17 anos de estudo:
1º Copacabana = 5.156
21º Campo Grande = 623

* Sem instrução
30° Copacabana = 804
2º Campo Grande = 4.392


O que eleitores de Gabeira apontam em suas falas:

"Cansados com o descumprimento de promessas. Melhorará a Saúde, Educação e Transporte".
Apresentadora de TV: “Não voto em propostas, a gente está cansado de propostas”

Candidato:
“Hoje é domingo, gostaria de fazer um programa mais curto, mas a justiça não permitiu”
“Visão suburbana”; “(Sambistas) Foram atraídos por uma feijoada”.

Eleitores de Eduardo Paes:

Melhores propostas para melhoria na Saúde, Educação e Transporte.
Candidato: “União do Governo Federal, Estadual e Municipal”; “Preparado para assumir”.

Vistos todos estes pontos podemos iniciar uma análise.
Pensemos nas relações entre: Cotidiano, Opinião Pública, Politização.

Nesta campanha o papel de “Síndico” das atribuições do Prefeito foi ressaltado. Bem como sua proximidade com o cotidiano do cidadão.
Setores que normalmente pautam a opinião pública disseram, com as urnas, que possuem um candidato e que esperam mudanças na política. Entretanto mudar, não necessariamente se faz para melhor.

O processo eleitoral é o momento no qual a população tem a oportunidade de debater os rumos da coisa pública. Neste sentido, quanto mais politizada melhor a campanha. Contudo, o quadro, indefinido já no período pré-eleitoral, apontou um importante fato o qual não se focou até hoje:

A parcela da população que usufrui uma vida sem (grandes) privações, isto é, possui moradia, transporte, hospitais particulares, acesso a cultura, educação e esportes opta, neste instante, em um novo modelo de político e de política.

Para eles, o político “ideal(izado)” não necessariamente deve ser aquele melhor preparado para dirigir a cidade. A política não deve ser aquela que retire a população imediatamente, e no longo prazo, da situação de abandono. Volta-se para a abstração, ou seja, a incerteza do projeto cria a possibilidade de erro na gestão pública.

Personagens e personalidades aderem quase que unanimemente a um lado. A classe artística – a qual estudos apontam como uma das mais nepotistas e onde poucos são engajados - aposta no discurso da distribuição técnica dos cargos e “despolitização”, transformada em conceito para oposição a uma forma de gestão, é encarada como benéfica ao conjunto da sociedade.

Belas falas, músicas e pessoas. Seria o melhor de fato se não houvesse um porém, a realidade.

Na realidade, política liga-se muito a conjuntura e esta aponta o PV coligado ao PSDB. Este por sua vez esteve presente em pastas importantíssimas nos governos Cesar Maia, cujo partido DEM, apóia Gabeira. Segundo este candidato, tais legendas aderem ao programa quase que espontaneamente, pois sabem que não haverá distribuição de cargos. (Com quem comporá o governo?)
Sabemos que uma visão séria do quadro político não deve se prender somente aos fatos superficiais, contudo importantes, como coligações e biografia. Pensemos mais profundamente.


Cidade Partida

O primeiro programa do PV no 2º turno destinou-se mais da metade do tempo a Copacabana. Seu candidato apontou as calçadas como um dos principais problemas da região. Legítimo. Importante para os socialistas, sem dúvida, afinal para pessoas idosas significa um perigo à saúde. Resume o perfil da candidatura? Totalmente!

Após se referir, por 2 vezes, de maneira preconceituosa a população suburbana, Gabeira nada mais fez que explicitar a cisão sofrida pela cidade. Aqueles que realmente sofreram durante anos com o desgoverno, com o esquecimento, optaram por Paes.

Por outro lado, para quem não verá em seu cotidiano propostas como Bilhete Único, UPAs 24 e Fim da Aprovação Automática, fica realmente muito mais fácil se ater a verbalizações despolitizadas – no sentido que denotativo.

Critica-se muito a população carente por elegerem aqueles que atendam direta e imediatamente seus interesses. O que se aponta neste contexto é o inverso.

A população de menor renda do Rio de Janeiro opta pela candidatura propositiva, experiente e politizada. O outro lado aposta no discurso, em uma prática “diferente” e moldam uma maneira particular de “despolitização”, no esquecimento das legendas que formam a Frente e, tudo isto, sem a menor certeza do que isso acarretará.

O PSB escolheu um lado e acertou na decisão.

Como já apontamos, o PSB deve pensar no seu futuro. É notório que as eleições de 2008 constroem palanques para 2010. Os principais tucanos já apareceram na campanha do candidato que seria a esquerda, bem como personagens como Armínio Fraga. Sendo assim, o partido acertou profundamente em apoiar a candidatura de Paes no 2º Turno.

Não a cidade cindida, votemos 15!

Eleitores com visão à esquerda, que enxergam a política de maneira complexa, se preocupam com a população que realmente não vê atendidas as promessas há anos - os mesmo que sofrem pela ausência do poder público - não podem admitir que o candidato não tenha um plano claro de governo para TODA a cidade, experiência na administração e componha uma coligação que ratifique seu plano progressista. Por isto, Paes deve ser considerado a melhor opção.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Coligações, Bloco de Esquerda e Futuro

(Tema sugerido por comentários)
Caro ao PSB nos últimos anos, o Bloco de Esquerda significa mais do que uma estratégia de viabilidade eleitoral frente a uma reforma política que imporia a cláusula de desempenho, algoz de algumas siglas, mas superada pelo PSB em qualquer cenário.

Um breve histórico de seu surgimento e justificativas:
O Partido dos Trabalhadores há muito é criticado por sua postura centralizadora frente seus aliados. A candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara dos Deputados, concorrendo com a do Dep. Aldo Rebelo foi entendida como mais um movimento naquele sentido. A partir da aliança estabelecida na tentativa manter o comunista no 3º posto mais importante do país, PSB, PCdoB, PDT (dentre outros) entenderam o Bloco como um instrumento voltado para a manutenção do governo Lula no caminho das mudanças progressistas e formação de um pólo alternativo para o difícil processo eleitoral que se desenha para a esquerda 2010.

Fora estes argumentos, pesavam questões como: Cláusula de Desempenho, Votações de Emendas e Sucessão Presidencial.
Este quadro norteou o PSB nas eleições, logo, seu espectro de coligações.

Antes de analisarmos os resultados observemos a matéria do “O Globo” de 12/10/08:
“Vão mal as coisa no Bloco de Esquerda

No segundo turno das eleições municipais, o PSB fez quatro pedidos ao PCdoB:
ficar neutro em Porto Alegre, apoiar Camilo Capiberibe em Macapá, Dário Berger (PMDB) em Florianópolis e Mário Lacerda (PSB) em Belo Horizonte.

O que farão os comunistas: vão de Maria do Rosário (PT) em Porto Alegre, de Roberto Góes (PDT) em Macapá, de Esperidião Amin (PP) em Florianópolis e de Leonardo Quintão (PMDB) em BH.”

A Seleção Brasileira de futebol de 82 é tomada como o grupo mais técnico da história, porém, por seu péssimo resultado, mal é lembrada. A mesma lógica pode ser adotada para as capitais nas eleições. O que nelas acontece, vira a tônica do processo, por mais que nas cidades menores o quadro seja distinto.

Com dimensões continentais e uma cultura extremamente rica, sem sombra de dúvidas que uma mesma postura do partido e seus filiados nas eleições torne-se uma difícil tarefa. Isto faz com que a militância de uma ou outra localidade tenha ao mesmo tempo características gerais e particulares, justificando posturas mais amplas em certas coligações.

Por isso, os principais parâmetros a serem tomados sobre as coligações devem ser:
1- A postura ideológica adotada nacionalmente e;
2 – A realidade regional.

Delimitemos a análise ao primeiro ponto e incluamos uma variável importânte a qualquer legenda que tenha como perspectiva o crescimento disseminação de seus projetos: O futuro.

Das cidades citadas no artigo do O Globo, tomemos por base apenas Belo Horizonte e Porto Alegre; além destas, por sua importância no cenário político brasileiro, o RJ e SP. O cálculo da média de votação entre as eleições 2000, 2004 e 2008 nessas cidades é o seguinte:
PCdoB
2000 = 34.404
2004 = 67.613
2008 =44.103

PSB
2000 = 86.715
2004 = 80.204
2008 = 58.142

PDT
2000 = 107.317
2004 = 132.574
2008 = 76.169

Desta maneira fica claro que:
- A análise comparativa da evolução dos votos dos 3 partidos apresenta uma contínua evolução do PSB nas eleições frente a seus aliados;
- As votações obtidas pelo PDT se aproximam mais das recebidas pelos socialistas;
- Em quase todas as capitais descritas, a votação do PSB supera, por vezes quase que em dobro, a do PCdoB.

Uma ampla disparidade é observada nas duas outras capitais, somente a média das eleições de 2008 em Florianópolis e Macapá ratifica tal idéia:

PCdoB = 7.301
PSB =18.593
PDT = 12.662
Frente a estas questões. Podemos concluir que:
- Por questões quantitativas, não se explicam nas capitais descritas no artigo as oposições do PCdoB em relação ao PSB.
- A evolução dos votos nas demais capitas do quadro sinaliza para uma margem considerável de independência eleitoral do PSB, não priorizada pelas coligações efetuadas.

Este segundo ponto é de suma importância, pois influencia diretamente na construção do partido, e na sua noção de futuro. O resultado eleitoral para Prefeitura do Rio, no 1º turno, ficou deste modo:
Eduardo Paes (PMDB) _____ 1.046.019
Fernando Gabeira (PV)_____ 839.994
Marcelo Crivella (PRB)_____ 625.237
Jandira Feghali (PCdoB)____ 321.012
Molon (PT)_____________ 162.926
Solange (DEM)__________ 128.596
Chico Alencar (PSOL)______ 59.362
Paulo Ramos (PDT)_______ 59.147
Outros ________________ 35.554
Frente a isto, é possível realizar as seguintes inferências:

1. Embora tenha eleito apenas 2 vereadores, seus 5 candidatos mais bem votados no município somariam 64.415 votos, resultado suficiente para alcançar o 7º lugar.
2. Caso somados os votos de todos os candidatos – 96.843 – a colocação se manteria, entretanto: O PSB possivelmente chegaria a 2% dos votos no RJ. Com o quadro de candidatos apresentado, esta candidatura teria reais chances, por exemplo, de retirar a candidata do Solange (DEM) de um debate na TV.
Uma análise racional diria que o PSB falhou em algumas localidades em suas coligações e posturas nestas eleições. Contudo, uma perspectiva política aponta um alinhamento direcionado a pavimentação de um campo de ação.

Assim, se por um lado o partido optou por construir uma identidade política com os partidos mais próximos, por outro, perdeu um pouco por não solidificar sua interlocução direta, e fundamental, com o eleitorado.

Postura talvez mais acertada que apostar em auto-construção e, posteriormente, participar do governo que não ajudou a eleger.

O Bloco deve ser mantido pois representa um enorme eleitorado no país. Somente nas 6 capitais aqui trabalhadas foram 1.032.829 eleitores. Mas essa integração necessariamente deve ser aprimorada, em especial naquelas capitais onde a opinião pública se define.
Em suma, o PSB ganha no longo prazo com o Bloco de Esquerda.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Membros do Avante PSB

Faça parte desta equipe.
envie email para avantepsb@gmail.com.
Nome
Ricardo Nascimento
Ricardo Bomfim
Elias Ávila de Andrade
Elizeu Medeiros
Jorge Bitencourt
Mauro Alves
Natanael Martins
Robson Nunes
Cláudio Pires
Luiz Carlos Serafim
Fabio Sá
Gustavo Sénechal Goffredo
Juarez Machado de Farias
José Augusto Militão Guedes
Marcos Paulo
Hermes Gomes

-Frequente atualização

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Desempenho do PSB 2008

Tido, após o processo eleitoral de 2008, como um dos partidos que mais teve evolução em seu eleitorado, o Partido Socialista Brasileiro praticamente dobrou seu número de prefeituras e aumentou de forma significativa seu eleitorado. Entretanto, a realidade no Sudeste e, especificamente, do Rio de Janeiro não é tão empolgante.
O desempenho do PSB em comparação as eleições de 2004 aponta o seguinte resultado quanto ao acréscimo no número de prefeituras:
Região Norte: 88%
Região Nordeste: 91%
Região Centro-Oeste: 125%
Região Sul: 63%
Região Sudeste: 36% (Fonte: Jornal O Globo)

Este quadro mostra o tímido desempenho da região sudeste no cenário nacional. Vejamos agora o desempenho em cada estado, desta região:

Rio de Janeiro (92 municípios) (Fonte: TSE)
Candidatos - 11 Eleitos – 3 2º Turno - 1 (Petrópolis)*

*Após 2 mandatos o PSB não conseguiu emplacar no 1º turno seu candidato. Com isso, haverá, pela primeira vez em sua história, o 2º turno.
Da mesma maneira, após o PSB ser eleito e reeleito o partido perdeu a Prefeitura de Nova Friburgo. Perda irreparável que merecia uma mobilização estadual voltada para a manutenção de um socialista na Prefeitura deste importante pólo têxtil nacional.

São Paulo (645 municípios)
87 Candidatos -----Eleitos- 25 ----2º Turno - 2

Minas Gerais (853 municípios)
70 Candidatos -----Eleitos - 12---- 2º Turno- 1

Espírito Santo (78 municípios)
29 Candidatos ---- Eleitos - 13----- 2º Turno - 0

Fracasso dos votos na legenda
O partido é uma instituição movida por seus militantes que se identificam por determinadas idéias e práticas voltadas para a intervenção na sociedade. Os eleitores reconhecem o partido pelas principais bandeiras que defendem, pelas figuras que nele estão (que muitas vezes se acham maiores ou mesmo donas do partido) e, principalmente por sua legenda. Assim, o reconhecimento da legenda pelo eleitor significa mais que um simples par de números, mas a confiança e a credibilidade que o partido tem frente a população. Por isso, a estratégia eleitoral deve ser voltada para fortalecer a legenda 40 nas eleições. Notemos na Capital do RJ se isto ocorreu nas urnas:

PSB
Votos Nominais = 96.843 Votos na Legenda = 4.049

PCdoB
Votos Nominais = 74.254 Votos na Legenda = 35.179

PDT
Votos Nominais = 151.749 Votos na Legenda = 22.426

PSOL
Votos Nominais = 35.370 Votos na Legenda = 28.225

PV
Votos Nominais = 106.602 Votos na Legenda = 92.135
(Fonte: TSE)

O PSB ingressou nas eleições 2008 com 3 vereadores.
Nenhum deles eleitos pela legenda em 2004.
Fechou estas eleições com apenas 2 eleitos.
Tudo isto, prova a necessidade de fortalecimento da legenda nos pleitos.
Vejamos o poder da defesa da legenda em candidatura majoritária e seu impacto na votação do parlamentar:

Dalva Larzaroni
2004 – PV = 14.172_________2008 - PSB = 9.602

Aspásia Camargo
2004 - PV = 15.291__________2008 - PV = 31.880

Rubens Andrade
2004 - PSC = 12.570_________2008 - PSB = 11.989

Roberto Monteiro
2004 – PCdoB = 5.678________2008 – PCdoB = 14.061
(Fonte: TSE)

Os quadros mostram que aqueles candidatos de partidos que disputaram a Prefeitura obtiveram melhores resultados nas eleições proporcionais. Mesmo o PSOL, cujo total da votação nominal foi menor que a soma dos 4 candidatos mais votados do PSB em 2008, recebeu 7 vezes mais votos de legenda.
Enquanto os candidatos socialistas perderam votos ou mantiveram votações trazidas de outros partidos, o PCdoB experimentou um largo crescimento de seus candidatos. Além disso, o voto em sua legenda foi quase 9 vezes maior! Isto com o agravante de ter recebido 22.600 votos nominais a menos!

Por fim, as estratégias de 2008 no estado do Rio de Janeiro, principalmente em sua capital, deixaram claras as lacunas existentes a serem preenchidas no que tange a construção de uma estratégia eleitoral viável e forte.
Poderá neste ponto haver leitores que considerem os posicionamentos sem parâmetros, já que todos os outros partidos citados lançaram candidatos a prefeitura do RJ. Justamente. Por isto, será este o próximo tema do Avante PSB.