(Tema sugerido por comentários)
Caro ao PSB nos últimos anos, o Bloco de Esquerda significa mais do que uma estratégia de viabilidade eleitoral frente a uma reforma política que imporia a cláusula de desempenho, algoz de algumas siglas, mas superada pelo PSB em qualquer cenário.
Um breve histórico de seu surgimento e justificativas:
O Partido dos Trabalhadores há muito é criticado por sua postura centralizadora frente seus aliados. A candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara dos Deputados, concorrendo com a do Dep. Aldo Rebelo foi entendida como mais um movimento naquele sentido. A partir da aliança estabelecida na tentativa manter o comunista no 3º posto mais importante do país, PSB, PCdoB, PDT (dentre outros) entenderam o Bloco como um instrumento voltado para a manutenção do governo Lula no caminho das mudanças progressistas e formação de um pólo alternativo para o difícil processo eleitoral que se desenha para a esquerda 2010.
Fora estes argumentos, pesavam questões como: Cláusula de Desempenho, Votações de Emendas e Sucessão Presidencial.
Este quadro norteou o PSB nas eleições, logo, seu espectro de coligações.
Antes de analisarmos os resultados observemos a matéria do “O Globo” de 12/10/08:
“Vão mal as coisa no Bloco de Esquerda
No segundo turno das eleições municipais, o PSB fez quatro pedidos ao PCdoB:
ficar neutro em Porto Alegre, apoiar Camilo Capiberibe em Macapá, Dário Berger (PMDB) em Florianópolis e Mário Lacerda (PSB) em Belo Horizonte.
O que farão os comunistas: vão de Maria do Rosário (PT) em Porto Alegre, de Roberto Góes (PDT) em Macapá, de Esperidião Amin (PP) em Florianópolis e de Leonardo Quintão (PMDB) em BH.”
A Seleção Brasileira de futebol de 82 é tomada como o grupo mais técnico da história, porém, por seu péssimo resultado, mal é lembrada. A mesma lógica pode ser adotada para as capitais nas eleições. O que nelas acontece, vira a tônica do processo, por mais que nas cidades menores o quadro seja distinto.
Com dimensões continentais e uma cultura extremamente rica, sem sombra de dúvidas que uma mesma postura do partido e seus filiados nas eleições torne-se uma difícil tarefa. Isto faz com que a militância de uma ou outra localidade tenha ao mesmo tempo características gerais e particulares, justificando posturas mais amplas em certas coligações.
Por isso, os principais parâmetros a serem tomados sobre as coligações devem ser:
1- A postura ideológica adotada nacionalmente e;
2 – A realidade regional.
Delimitemos a análise ao primeiro ponto e incluamos uma variável importânte a qualquer legenda que tenha como perspectiva o crescimento disseminação de seus projetos: O futuro.
Das cidades citadas no artigo do O Globo, tomemos por base apenas Belo Horizonte e Porto Alegre; além destas, por sua importância no cenário político brasileiro, o RJ e SP. O cálculo da média de votação entre as eleições 2000, 2004 e 2008 nessas cidades é o seguinte:
PCdoB
2000 = 34.404
2004 = 67.613
2008 =44.103
PSB
2000 = 86.715
2004 = 80.204
2008 = 58.142
PDT
2000 = 107.317
2004 = 132.574
2008 = 76.169
Desta maneira fica claro que:
- A análise comparativa da evolução dos votos dos 3 partidos apresenta uma contínua evolução do PSB nas eleições frente a seus aliados;
- As votações obtidas pelo PDT se aproximam mais das recebidas pelos socialistas;
- Em quase todas as capitais descritas, a votação do PSB supera, por vezes quase que em dobro, a do PCdoB.
Uma ampla disparidade é observada nas duas outras capitais, somente a média das eleições de 2008 em Florianópolis e Macapá ratifica tal idéia:
PCdoB = 7.301
PSB =18.593
PDT = 12.662
Frente a estas questões. Podemos concluir que:
- Por questões quantitativas, não se explicam nas capitais descritas no artigo as oposições do PCdoB em relação ao PSB.
- A evolução dos votos nas demais capitas do quadro sinaliza para uma margem considerável de independência eleitoral do PSB, não priorizada pelas coligações efetuadas.
Este segundo ponto é de suma importância, pois influencia diretamente na construção do partido, e na sua noção de futuro. O resultado eleitoral para Prefeitura do Rio, no 1º turno, ficou deste modo:
Eduardo Paes (PMDB) _____ 1.046.019
Fernando Gabeira (PV)_____ 839.994
Marcelo Crivella (PRB)_____ 625.237
Jandira Feghali (PCdoB)____ 321.012
Molon (PT)_____________ 162.926
Solange (DEM)__________ 128.596
Chico Alencar (PSOL)______ 59.362
Paulo Ramos (PDT)_______ 59.147
Outros ________________ 35.554
Frente a isto, é possível realizar as seguintes inferências:
1. Embora tenha eleito apenas 2 vereadores, seus 5 candidatos mais bem votados no município somariam 64.415 votos, resultado suficiente para alcançar o 7º lugar.
2. Caso somados os votos de todos os candidatos – 96.843 – a colocação se manteria, entretanto: O PSB possivelmente chegaria a 2% dos votos no RJ. Com o quadro de candidatos apresentado, esta candidatura teria reais chances, por exemplo, de retirar a candidata do Solange (DEM) de um debate na TV.
Uma análise racional diria que o PSB falhou em algumas localidades em suas coligações e posturas nestas eleições. Contudo, uma perspectiva política aponta um alinhamento direcionado a pavimentação de um campo de ação.
Assim, se por um lado o partido optou por construir uma identidade política com os partidos mais próximos, por outro, perdeu um pouco por não solidificar sua interlocução direta, e fundamental, com o eleitorado.
Postura talvez mais acertada que apostar em auto-construção e, posteriormente, participar do governo que não ajudou a eleger.
O Bloco deve ser mantido pois representa um enorme eleitorado no país. Somente nas 6 capitais aqui trabalhadas foram 1.032.829 eleitores. Mas essa integração necessariamente deve ser aprimorada, em especial naquelas capitais onde a opinião pública se define.
Em suma, o PSB ganha no longo prazo com o Bloco de Esquerda.